Meta 05: Relatório
Meta/etapa 5: Relatório síntese do processo
Maria Dal Piva turma C:
O trabalho pedagógico através de projetos é uma questão que me causa, particularmente, um pouco de angústia e questionamentos. Creio que o aprendizado através dos projetos seja, de fato, muito mais prazeroso para quem aprende. No entanto, ainda tenho dúvidas quanto ao conhecimento adquirido em relação aos conteúdos curriculares e à preparação dos alunos para enfrentar as questões escolares que se apresentarão diversas vezes em suas vidas. Não sei ainda como conciliar, de fato, a preparação dos alunos frente aos alunos que têm uma educação tradicional. Talvez isso seja uma visão muito particular (e deturpada) minha, mas como futura pedagoga e como professora atuante me questiono e volto a questionar diversas vezes.
Temos, nos Projetos de Aprendizagem, muito trabalho junto aos alunos. A demanda de acompanhamento é muito maior. Somos muito mais requisitados do que quando desenvolvemos os conteúdos curriculares tradicionalmente. Como no modelo tradicional de aula, alguns alunos encontram dificuldade em compreender a proposta e fazem uma leitura de "não estamos fazendo nada nesta aula". No entanto, o crescimento e desenvolvimento de conceitos sobre o projeto é evidente, desde o lançamento da proposta (decisão do projeto) até sua culminância.
Meu questionamento (e angústia) gira em torno da dúvida se as escolas consideradas "fortes" ou referências, por exemplo, trabalham nesta metodologia. Enquanto propomos o trabalho através de projetos de aprendizado para as classes populares, as crianças com acesso à outras escolas têm uma educação tradicional que as "prepara" para concorrer. Cumprem os conteúdos curriculares, fazem oficinas sobre estes e, não obstante, ainda têm reforço escolar/revisão dos conteúdos. Isso não seria uma fonte de desigualdade?
Ao mesmo tempo me torno contraditória ao expor pensar que os projetos oferecem a oportunidade de autonomia e prazer no aprendizado. Mas não consigo acreditar que alunos com diversos déficits em sua formação (desde a falta de estímulos na primeira infância, alfabetização com deficiências, dificuldades matemáticas, dificuldades em interpretação) consigam atingir os mesmos objetivos que os demais alunos.
Projetos de Aprendizagem para quem? Para quê? Qual o histórico destes alunos?
Neste momento de síntese deste processo estas angústias se apresentam para mim. Já se apresentaram em outros momentos, mas achei importante relatar.
O projeto que desenvolvi junto aos alunos na escola foi sobre o abandono/resgate de animais pela Secretaria Especial de Direitos Animais (SEDA), que realizou uma intervenção na escola através de palestras de conscientização e problematização do tema gerador.
Os alunos desenvolveram mapas conceituais e escreveram textos sobre o tema. Relato aqui que em ambas atividades apresentaram suas dificuldades rotineiras (dificuldade de compreender a proposta, dificuldade em formular os mapas conceituais, necessidade de explicação por diversas vezes de como executar a tarefa, erros ortográficos e interpretativos). Durante a realização da proposta, não poupei esforços em diminuir essas dificuldades, tampouco corrigir possíveis erros.
Os alunos demonstraram alegria e satisfação na atividade, diferentemente de outros momentos escolares/ aula que estamos costumeiramente inseridos. Findo esta análise reforçando que não me sinto muito à vontade com este método de trabalho, mas gostaria muito de aprender a conciliar a percepção de aprendizado dos conteúdos curriculares e a satisfação de aprendizado dos alunos.
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RELATÓRIO FINAL –
ÉDERSON DA CRUZ (Turma D)
1 – DESTAQUE DAS VIVÊNIAS E EXPERIÊNCIAS
Quando
nos foi lançado o desafio de construir projetos de aprendizagem com nossas
turmas, pensei que talvez não chegaria ao final da atividade, especialmente
pelo fato de que, sendo professor dos anos finais do Ensino Fundamental, temos
um currículo muitas vezes engessado em alguns aspectos, principalmente em
proporcionar liberdade para os alunos aprenderem a partir de seus anseios.
Nesse
sentido, uma de minhas primeiras aprendizagens (ainda que iniciais) foi em
diferenciar projeto de aprendizagem (aquele que parte dos interesses dos alunos
e que fomenta a busca do conhecimento a partir de uma curiosidade), projeto de
ensino (tenta articular os interesses dos alunos a intencionalidades de
aprendizagem e conteúdos) e projetos de ação (que contemplam o fazer
pedagógico). Pensei, inicialmente, que trabalharia com projetos de ensino em
uma de minhas turmas de Língua Portuguesa, no 7 º ano do Ensino Fundamental,
porém, no desenvolver da atividade, fui vendo que era possível trabalhar um
projeto de aprendizagem mesmo em um currículo mais engessado.
No
entanto, adaptações foram necessárias, e uma delas foi dividir a turma em
grupos menores, por interesses. Essa divisão proporcionou que os alunos se
sentissem mais estimulados, de maneira que as afinidades e a escolha de
diferentes temas proporcionaram maior interesse e motivação para participar do
projeto.
2 – POTÊNCIAS E LIMITAÇÕES VIVENCIADAS EM CADA META
A meta inicial (chuva de ideias)
e a meta 02 (certezas e dúvidas) foi mais tranquila em relação às demais.
Constatei mais dificuldades dos alunos em relação às últimas metas, articuladas
ao mapa conceitual e ao plano de ação,
onde minha intervenção teve que ser maior. Essas dificuldades se deram,
principalmente, pelo fato de os alunos não conhecerem esses instrumentos
avaliativos, não estando acostumados a eles. Ainda assim, percebi que alguns
grupos não conseguiram atingir aos objetivos estabelecidos, especialmente no
quesito de desenvolverem uma pequena conclusão do projeto, atividade que
solicitei a eles, para ser entregue no final. Porém, essa atividade será ainda
retomada posteriormente, e o projeto será transformado em um cartaz informativo,
a ser divulgado pela escola.
Um aspecto positivo que percebi
no desenvolvimento de todas as metas foi o fato de que essa metodologia de
trabalho foi considerada “novidade” pelos alunos, e apesar da dificuldade com a
construção do mapa conceitual – por exemplo – após esse primeiro exercício foi
possível construir outros mapas com os alunos, relacionados aos conteúdos
trabalhados e desenvolvidos em sala de aula.
3 – CONCEITUAR O PROJETO DE APRENDIZAGEM
Como mencionado por mim
anteriormente, penso que o projeto de aprendizagem seja uma forma de
metodologia que parta das chamadas “pedagogias ativas”, das quais – a grosso
modo – o aluno é visto como responsável pela construção de seu próprio
conhecimento. Ao mesmo tempo, o projeto de aprendizagem é mais maleável, uma
vez que possibilita aos alunos a livre criação, ao estabelecerem seus
interesses de aprendizagem e ao construírem seus objetos de pesquisa.
No sentido da potência dos projetos
de aprendizagem, destaco, a partir de Fagundes et al., que o projeto de
aprendizagem é potente para ampliar o desenvolvimento dos alunos, assim como para
facilitar a aprendizagem (2006, p. 29). Também afirmam os autores que “fazer um
projeto de aprendizagem significa desenvolver atividades de investigação sobre
uma questão que nos ‘incomoda’, desperta nossa atenção, instiga nossa
curiosidade.” (p. 30). Foi isso que pude perceber, em meus alunos, no
desenvolvimento do projeto: potência para aprender e novos significados para a
aprendizagem, tanto que das três turmas de 7º ano que tenho na escola onde
apliquei a proposta, essa turma apresentou desempenho significativo também nas
outras atividades da disciplina.
Assim, destaco que, embora eu já
seja professor há aproximadamente 09 anos, nunca tinha trabalhado com essa
forma de metodologia que considerei mais “livre”; na verdade, até o momento de
desenvolvê-la, eu não via possibilidades de relação dessa com um aprendizado
significativo. Porém, como os professores também se encontram em constante
processo de aprendizagem, pude perceber que há, sim, potência nessa forma de
metodologia, de modo que podemos articular os projetos de aprendizagem
tranquilamente às demais atividades desenvolvidas no currículo escolar, de
forma a tornar a aprendizagem mais significativa e prazerosa. Dessa forma,
depois de desenvolver esse projeto, passei a investir em outras atividades dessa
forma com os alunos das outras turmas (como um projeto de revitalização da
biblioteca escolar, que envolve turmas dos anos finais do Ensino fundamental e
do Ensino Médio), o que tem rendido frutos significativos e contribuído para
tornar minhas aulas um espaço mais horizontal e democrático.
Referência:
FAGUNDES, Léo da
Cruz [et al.]. Projetos de aprendizagem –
uma experiência mediada por ambientes temáticos. In: Revista Brasileira de Informática na Educação, vol. 14, n. 1,
janeiro a abril, 2006, p. 29-39.
Caros alunos, aguardamos, sua reflexão, que com certeza será rica de detalhes.
ResponderExcluirAbraços